Análise do filme: Johnny Guitar 1954

Critica de Filmes

A obra do diretor Nicholas Ray foge dos padrões do western da época e tem um título atribuído a um personagem que não é o protagonista, talvez por ser mais contemplativo quando foi lançado, mas a verdade é que traz uma rivalidade mortal entre duas personagens que se odeiam; uma delas quer expulsar a outra da cidade a todo custo, mas existem fatores importantes como a chegada da ferrovia. Dentro de tudo isso, temos Sterling Hayden o personagem (Johnny Guitar), chegando e assistindo aos acontecimentos importantes; seu destino é o Vienna’s Saloon, onde será empregado por Joan Crawford (Vienna).
Na narrativa ainda temos alguns personagens importantes como: Mercedes McCambridge (Emma), Scott Brady (Kid Dançarino), John Carradine (Tom), Ernest Borgnine (Bart) e Ward Bond (John McIvers); esses são aqueles que fizeram diferença na trama para um lado ou para outro, todos contribuindo em suas atuações. Desses nomes, temos veteranos como Carradine, Borgnine e Bond, que fizeram muitos westerns em suas carreiras.
O diretor Nicholas Ray apresenta uma fotografia com cores fortes e contrastantes de forma estilizada, utilizando principalmente os tons vermelhos, amarelos e tons “pastéis”, incomuns para os westerns tradicionais. Em relação aos planos, Nicholas utiliza planos gerais clássicos para as cenas externas e os planos médios, alternando com close-ups ou planos detalhe dos rostos e partes do corpo dos personagens. Em resumo, o diretor não foge da composição clássica.
Quando foi lançado nos Estados Unidos, o filme não rendeu o esperado nas bilheterias, talvez pela trama das personagens utilizar protagonistas mulheres. Onde não era comum, diferente da Europa, onde fez sucesso de bilheteria nos países onde estreou, mas com o tempo ganhou força e reconhecimento, se tornando um dos grandes filmes da história do gênero do western.
Revi o filme novamente para fazer a análise e continuo gostando de praticamente tudo que assisti. As atuações de Crawford e McCambridge são verdadeiros embates que transcendem o set de filmagem. Li em alguma curiosidade que falava que a briga das atrizes muitas vezes era real, além de uma declaração interessante do ator Sterling Hayden que disse que por nenhum dinheiro no mundo trabalharia novamente com Joan Crawford, e olha que ele gostava muito de dinheiro.
Em 1988 é lançado o filme espanhol Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos e, em determinado momento do filme, a personagem de Carmem Maura, Pepa, que é atriz e dubladora na trama, vai fazer uma dublagem. E qual é o filme em questão? Johnny Guitar! Uma bela homenagem de Pedro Almodóvar, o diretor que melhor soube trazer a essência da natureza feminina ao cinema.

Detalhes da produção

  • Título Original: Johnny Guitar
  • Diretor: Nicholas Ray
  • Roteiro: Philip Yordan e Ben Maddow, baseado no romance de Roy Chanslor
  • Ano de Lançamento: 1954
  • País: Estados Unidos
  • Idioma: Inglês
  • Duração: 110 minutos
  • Gênero: Faroeste, Romance
  • Produção: Republic Pictures
  • Trilha Sonora: Victor Young e Peggy Lee
  • Elenco Principal:
    • Joan Crawford como Vienna
    • Sterling Hayden como Johnny Guitar
    • Mercedes McCambridge como Emma Small
    • Scott Brady como Dancin’ Kid 

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48 thoughts on “Análise do filme: Johnny Guitar 1954

  1. Morria e não sabia que a excelente Atriz, porém uma pessoa dificílima de lidar,
    Joan Crowford fez um Western. Não assisti ao filme, já tinha ouvido falar, mas nunca assisti, vai pra minha lista, com certeza!

  2. Que leitura gostosa da obra, Ricardo! É curioso como um filme tão ousado só foi compreendido de fato fora dos EUA num primeiro momento, e hoje é visto como uma obra-prima…Excelente análise!

  3. Seu texto oferece uma leitura clara e envolvente de Johnny Guitar, destacando com precisão aquilo que torna o filme tão singular dentro do western: a inversão dos papéis tradicionais, o confronto emocional entre as personagens femininas e o uso ousado das cores por Nicholas Ray. Você equilibra bem contexto histórico, observações técnicas e curiosidades de bastidores, criando uma análise completa sem perder o tom pessoal. A referência final ao diálogo com Almodóvar encerra o texto de forma elegante, reforçando a relevância duradoura da obra. Ficou uma análise lúcida, bem escrita e convidativa.

  4. A Mercedes McCambridge foi a responsável por dublar a Linda Blair nas cenas em que o demônio Pazuzu se manifestava no filme “O Exorcista”, de 1973.

  5. Sua análise destaca com clareza como Johnny Guitar subverte o western clássico ao colocar mulheres no centro do conflito, e valoriza bem o estilo visual ousado de Nicholas Ray. O comentário sobre o impacto histórico e a curiosa rivalidade nos bastidores enriquece ainda mais a leitura do filme.

  6. Parabéns a vc Ricardo por abordar um tema tao interessante confeso que nao gostava do gênero western suas abordagens traz vida a cada personagem. Parabéns

  7. A capa não revela o livro, nem o Filme. Johnny Guitar um filme empolgante com uma trama intrigante. Ricardo discorre em seu comentário as vertentes de cada personagem, discorrendo detalhes que elucidam e explicam o que se passa mesmo sem dar spoiler, mas preferi assistir para comentar, o que compensou cada segundo. Parabéns Ricardo, és mesmo especialista em wester.

  8. Que boa análise! Eu realmente gosto de está assistindo esses clássicos maravilhosos! Essas análises faz ver o filme com um perspectiva diferente a mais atento aos detalhes que passaria despercebido.

  9. Opa, excelente análise!
    Será que não quiseram arriscar a bilheteria indicando que o título seria sobre uma mulher?
    De toda maneira o filme foi muito bom e mais filmes com mulheres poderia ter sido uma maneira de atrair mais mulheres ao gênero – pelo público que alcançou na Europa dá pra ter uma ideia.

  10. Vienna deveria ser o título realmente.
    Nesse período não só Ray como também Samuel Fuller fizeram filmes de faroeste onde as mulheres eram protagonistas.
    Eu vi uma novela chamada Torre de Babel cuja personagem de Etty Fraser era cinéfila e então ela sugere para um aspirante a cantor o nome de Johnny Percebe.
    É um filme maravilhoso no qual as duas personagens se enfrentavam e fora das telas também.
    É um filme que merece revisão.

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