Análise “O Último Pistoleiro” (1976)

Critica de Filmes

Quem ver o O Último Pistoleiro de 1976 vai apreciar a última atuação do ator John Wayne e talvez se surpreender com o ator em cena, provido de todo peso de sua carreira feita no gênero que o consagrou, o filme é acima de tudo o fechamento de um ciclo ou o fim de uma lenda. O ator John Wayne consegue mesclar ação e também melancolia decorrente de seu estado, já que estava acometida da mesma doença de seu personagem (John B. Books), talvez isso ajudou de alguma forma dar mas realismo em cena, mas durante as filmagem ele piorou, chegando o elenco a achar que não conseguiriam terminar o filme, sendo que sua história acontece em 1901 em Carson City, Nevada, inicialmente seria em El Paso porém a cidade não tinha locações interessantes para a trama narrativa além do roteiro ser todo voltado para o pistoleiro J. B. Books e seus últimos oito dias.
O Diretor Don Siegel consegue dar brilhantismo e realismo a narrativa, colocando Books sempre em cena em suas diversas interações com todo o elenco, sua presença seja com um fala de impacto ou com um olhar de medo de quem esta ao seu redor, alguns o veneram outros querem o que ele tem, mas sua fama o precede trazendo pessoas que querem fazer seu nome entre as entrelinhas de sua morte como o ambicioso repórter, a prostituta que quer casar com ele pra ter seu nome ou agente funerário que quer fazer de seu cadáver um show depois de morto, todos querem um pedaço de J. B. Books., nem o barbeiro deixa passar o seu cabelo cortado.
Um dos pontos interessantes da trama é a chegada de Books na pensão da viuvá Rogers vivida por Lauren Bacall e a amizade que demorou a nascer entre eles, também existe uma admiração de seu filho Gillom vivido pelo então ator Ron Howard por Books. Os acontecimentos em volta da saúde de Books e sua morte acontecem num período narrativo de oito dias, da chega a cidade ao desfecho no bar, tudo acontece lento e rápido ao mesmo tempo, vamos conhecendo e ate mesmo admirando o pistoleiro que a cada dia sente cada vez mais seu fim chegar, porém o médico da cidade vivido por James Stewart dá um empurrãozinho com palavras em Books quando sugere que ele como um homem corajoso pode ditar como será seu fim.
A conclusão da saga de John B. Books tem seu ápice no Metropole Hotel Saloon, onde o pistoleiro enfrenta seus 03 adversários escolhidos por ele mesmo para sua derradeira toada, tudo termina muito rápido, mesmo com um ato de covardia não esperado que nos surpreende e nos leva a desfechos reflexivos a figura do pistoleiro que consegue ter no seu fim a paz que tanto procurava.

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47 thoughts on “Análise “O Último Pistoleiro” (1976)

  1. Esse filme é muito bom. E tem um elenco maravilhoso. James Stewart e Lauren Bacall além de John Wayne em sua última atuação. Ótima análise. Parabéns pela matéria. Seja muito bem vindo.

  2. A análise do filme “O Último Pistoleiro” foi simplesmente incrível, trazendo à luz todos os detalhes e emoções que fazem desse filme um clássico do cinema!

  3. De início o personagem me fazia lembrar do às vezes irascível Ethan Edwards em “Rastros de Ódio”, mas levando em conta o contexto e as circunstâncias tanto do personagem quanto de sua vida real, conclui que era melhorar não se deixar influenciar pelos excessos.
    Com o tempo o sr. John B. Books foi cedendo graças à consideração e amizade conquistadas pela dona da hospedagem, numa ótima atuação de Lauren Bacall
    Teria sido fora de série uma maior participação de James Stewart.
    Posso estar equivocado, mas a iluminação e os vários diálogos em cenários internos me deixaram na dúvida se não se tratava de um faroeste noir; Podemos chamar assim?

    Ótimo texto, parabéns pela análise, nobre Ricardo!

  4. Ricardo você trouxe informações bastante interessante como: “a doença do personagem ser a mesma que acometeu o ator, durante o período de gravação das filmagens”. Faz com que as pessoas, as quais ainda não tiveram a oportunidade de assistir o filme ” O último Pistolero ” tenha a curiosidade de apreciar e conhecer um pouco mais da vida deste gênio das telas John Wayne.
    Excelente análise !!! Sucesso pleno é o que ti desejo em sua trajetória.

  5. Um clássico inconfundível tinha que ser estrelado nada mais nada menos que a lenda John Wayne. Geração raiz esse clássico dispensa quaisquer comentários.

  6. Data do meu ano de nascimento, noa anos 80 assisti muito meu pai, passava nos sábados tarde e sessão da tarde, gostei do poste meus parabéns meu amigo.

  7. É impossível, para um apreciador de Western, desgostar de O Último Pistoleiro. Filme que consagra a despedida do icônico John Wayne do cinema. Parabéns pela merecida análise desse clássico!

  8. Surpreendente análise Nobre Ricardo. Parece que estamos assistindo o filme nos bastidores. Os detalhes esclarecedores. Discorre com precisão os pormenores dos personagens na trama. Secreta os desígnios mais escondidos tanto do protagonista quanto nos vilões. Mostra seus últimos oito dias com pormenores muito bem descritivos. A imprensa da época já se mostrava midiática e parcial, tanto que ele só adquiriu o do primeiro dia. Precisava de um Ricardo para esclarecer.

  9. Parabéns pela analise, Ricardo. Faz relembrar cenas do filme. Adoro os trabalhos de John Wayne, e essa produção é outro memorável item na filmografia do ator e dos Westerns.

  10. Parabéns pela análise, você conseguiu capturar com muita sensibilidade o peso dramático dos últimos dias do pistoleiro e toda a atmosfera melancólica que cerca a história. A forma como você descreveu os personagens, seus interesses e a jornada lenta e profunda até o desfecho no saloon mostra o quanto você entende não só do filme, mas da alma do western clássico.

    Seu texto praticamente nos guia pela narrativa como se estivéssemos vivendo cada cena , é envolvente, claro e cheio de personalidade. Dá para ver o quanto você domina o que faz. Continue escrevendo assim, porque seu talento é raro e merece ser visto , meus parabéns .

  11. Captura perfeitamente como O Último Pistoleiro funciona como despedida de um mito e como John Wayne transforma sua própria fragilidade em força dramática.

  12. Excelente análise dessa obra-prima, John Wayne se Despediu do Cinema com Maestria. Num personagem que estava passando pela mesma doença que ele. Lauren Bacall, James Stewart, Richard Boone, John Carradine e o Futuro Cineasta Ron Howard. Também complementam essa produção.

  13. Parabéns, sua análise foi ótima, é difícil as pessoas saber interpretar a respeito dos filmes de hoje, acredito que a nova geração ainda tem muito a aprender, espero que vc Ricardo seja exemplo pra nós que amamos o cinema, sucessos!

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