Análise “Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria” (2025)

Critica de Filmes

Buracos entre a multifuncionalidade e coachs milagrosos

Título original – If a Had Legs I´d Kick You

Diretora – Mary Bronstein

Elenco – Rose Byrne, Delaney Quinn, Mary Bronstein, A$AP Rocky, Ivy Wolk, Christian Slater, Mark Stolzenberg, Cona O`Brien

Roteiro – Mary Bronstein

Fotografia – Christopher Messina

Montagem – Lucian Johnston

Designer de produção – Carmen Navis

Direção de arte – Kyra Boselli

Certa vez eu li (ou ouvi) uma citação – acredito que do crítico de cinema Pablo Vilaça – sobre o quanto os filmes (ficcionais ou não), são uma espécie de documento para a sua época. E essa pequena grande frase cabe direitinho para este filme em questão, pois estamos experenciando em uma escala cada vez maior, uma espécie de romantização na vida sobre diversas questões, envolvendo trabalho, sonhos, família, relacionamentos, morte e a maternidade. e tudo para lidar – ou não saber lidar – com o sofrimento, frustração e tédio.

Linda (Rose Byrne) come o páo que o diabo amassou. Divide diversas tarefas do cotidiano, entre cuidar da sua filha com uma doença que requer cuidados extremos, cuidar da casa que está inundada e desmoronando (o buraco que se abre no teto representa bem o interior da sua personagem),obrigando ela e a filha a se mudarem para um hotel, participa de programas de ajuda para mães com dificuldades, faz sessões com psicólogo pois sua mente está a beira de um colapso e trabalha como psicóloga nesta mesma clínica atendendo pacientes com diversos tipos de transtornos. Além disso, tem a ausência física do marido, por conta de compromissos profissionais.

Já na primeira cena, temos um plano “engolindo” o rosto da atriz, onde captamos toda a angústia através de expressões e dos diálogos todo o peso que aquela mulher carrega. mesmo sem conhecer a sua história. E é interessante que ela está acompanhada de sua filha (Delaney Quinn) e da orientadora (Mary Bronstein – que também dirige o filme), mas em nenhum momento, a cãmera desvia de Linda. E Rose Byrne carrega toda essa tensão durante toda sua projeção. Não que os personagens secundários – e até terciários – não tenham sua relevância.

Mary Bronstein consegue imprimir através da escolhas de linguagem e da sua gigante equipe de som,o que se passa na mente dessa mulher á beira de um ataque de nervos, onde temos diversas cenas com o segundo plano desfocado,a atriz caminhando ou correndo entre corredores estreitos e planos fechados determinando uma espécie de casulo onde ela mal consegue respirar. A fotografia de Christopher Messina por inúmeras vezes mergulha a personagem na escuridão e a deixa sozinha num plano, enquanto outras personagens dividem o mesmo enquadramento – como por exemplo em uma cena de reunião de mães,

Rose Byrne entrega aqui uma personagem em uma panela de pressão prestes a explodir. Sem maquiagem,descabelada, repleta de inseguranças e paranóias. Merece todo o burburinho em torno de sua visceral atuação. Algumas cenas nos fazem revirar na cadeira de tão tensas. e Mary Bronstein consegue dilatar o suspense com maestria. Aprendeu direitinho com um certo diretor inglês e gordinho.

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