Busão das Artes chega ao Horto Florestal (SP) com exposição Lixúria, uma experiência imersiva sobre meio ambiente e futuro

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Um museu sobre rodas que espelha a sociedade e se camufla no espaço urbano. Assim é o Busão das Artes, um caminhão-baú de 15 metros que se transforma em espaço expositivo e viaja o Brasil. Com curadoria e direção artística de Marcello Dantas, o projeto apresenta a exposição “Lixúria” — uma jornada sensorial que une arte e educação ambiental. Com entrada gratuita, a mostra fica no Parque Estadual Alberto Löfgren, conhecido como Horto Florestal, entre os dias 10 e 25 de janeiro. O horário de visitação é das 10h às 17h.

Com patrocínio da Enel Brasil e Sotreq, a exposição conta com obras dos artistas visuais Vik Muniz, Sueli Isaka, Guto Lacaz, Sandra Lapage, Pirilampos do Planeta, Tomazicabral, Jessica Mein, Karola Braga, Coopa Roca, Janaina Mello Landini e Adrianna Eu.

A imersão começa com o próprio caminhão, que foi revestido com película espelhada que reflete o entorno, quase desaparecendo no espaço e tornando-se um espelho crítico da sociedade. Além disso, o espaço se divide em ambientes interno e externo, concebidos para provocar e surpreender o público, especialmente crianças e adolescentes, com experiências lúdicas e sensoriais.

“O lixo é um espelho do nosso comportamento. Quando olhamos para o que descartamos, enxergamos quem somos como sociedade. A ideia da exposição “Lixúria” é justamente tornar esse espelho visível e provocar reflexão sobre nossos hábitos de consumo e descarte. Cada pessoa gera, em média, até 28 toneladas de lixo ao longo da vida. É um dado brutal, mas que precisa ser encarado. O lixo não desaparece. Ele se acumula, se transforma e, também, pode ser ferramenta de educação e cidadania”, explica o curador Marcello Dantas.

Ao adentrar o Busão, o visitante se depara com a cenografia marcante de um patchwork de embalagens revestindo as paredes e o teto, construído a partir de lixo limpo como tampinhas, embalagens tetrapak, pacotes e plásticos diversos. Também, a obra Marat (Sebastião), da série Pictures of Garbage, de Vik Muniz, produzida a partir de seu projeto com os catadores do aterro sanitário Jardim Gramacho, da cidade do Rio de Janeiro, estará exposta.

Nesse espaço, o filme Ilha das Flores (1989), de Jorge Furtado, é exibido em looping, convidando o público a repensar desigualdade, consumo e destino do lixo. O visitante também encontra duas estações interativas: uma balança que calcula, em quilos, a quantidade de lixo que cada pessoa produzirá ao longo da vida (uma experiência que busca dar o peso concreto do impacto individual), e um mapa digital, via Google Earth, com informações sobre os lixões, aterros sanitários e pontos de coleta das cidades visitadas.

Do lado de fora, a experiência continua. Espalhadas ao redor do caminhão, latas de lixo galvanizado com tampas guardam surpresas que se revelam ao serem abertas pelos visitantes. Dentro delas, o público encontra obras de arte dos artistas Sueli Isaka, Guto Lacaz, Sandra Lapage, Pirilampos do Planeta (Lula Duffrayer e Flávio Carvalho), Tomazicabral, Nazareno, Jessica Mein, Karola Braga, Coopa Roca, Janaina Mello Landini e Adrianna Eu, compostas por objetos inventivos criados a partir de resíduos e personagens simbólicos como o “Bicho de Lixo”. Algumas das obras também acionam efeitos sonoros, visuais ou mecânicos.

Nessa temporada, o Busão das Artes já passou por Rondônia (Porto Velho), Tocantins (Palmas), Ceará (Fortaleza) e Rio de Janeiro (Petrópolis, Rio de Janeiro, Niterói, São Gonçalo, Macaé, Cabo Frio, Resende e Paraty). Trata-se de um projeto de educação gratuito, inclusivo e democrático, idealizado por Renata Lima, da Das Lima Produções, em parceria com a dupla Lilian Pieroni e Luciana Levacov, da Carioca DNA.

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