91 Anos do Nascimento de Mercedes Sosa.

Datas Música

Mercedes Sosa foi uma das cantoras mais importantes da história da América Latina, reconhecida mundialmente como a “voz dos sem voz” e o maior símbolo da música folclórica argentina. Nascida em San Miguel de Tucumán em 9 de julho de 1935, ela faleceu em Buenos Aires no dia 4 de outubro de 2009, aos 74 anos. Sua obra e postura ética transformaram a música popular em um hino de resistência social e política contra as injustiças e as ditaduras no continente.

Filha de uma lavadeira e de um operário da cana-de-açúcar, tinha ascendência indígena diaguita. E aos 15 anos, em 1950 e escondida dos pais, ela participou de uma competição de canto na emissora de rádio local de sua cidade natal (a LV12 de Tucumán) usando o pseudônimo Gladys Osorio. Ela venceu o concurso e assinou seu primeiro contrato profissional.

Primeiro álbum em estúdio (1959/1961): Embora tenha começado a cantar profissionalmente no rádio no início da década de 1950, ela gravou seu primeiro disco de estúdio, intitulado La Voz de la Zafra, entre os anos de 1959 e 1961.

A projeção nacional (1965): O verdadeiro estouro e reconhecimento nacional na Argentina aconteceram em 1965, após uma apresentação histórica e aclamada no Festival Nacional de Folclore de Cosquín.

O movimento Nueva Canción (Nova Canção) foi um dos fenômenos musicais e políticos mais importantes da América Latina entre as décadas de 1960 e 1980. Mercedes Sosa foi uma das principais líderes desse movimento, que transformou a música em uma ferramenta de conscientização e resistência social contra as injustiças do continente.

Início na Argentina (1963): O movimento nasceu formalmente em Mendoza com o manifesto do Nuevo Cancionero, lançado por Mercedes Sosa, seu então marido Manuel Óscar Matus, o poeta Armando Tejada Gómez e outros artistas.

O principal objetivo era resgatar e valorizar o folclore nacional e as tradições rurais, combatendo a invasão cultural de ritmos comerciais norte-americanos e europeus. O movimento deu voz e visibilidade aos camponeses, aos operários, aos povos indígenas e aos pobres, retratando suas lutas diárias em vez de focar apenas em canções românticas ou festivas.

As composições traziam poesias profundas que denunciavam a exploração econômica, a desigualdade social e a opressão política. Uso marcante de instrumentos típicos da região andina e latino-americana, como o bumbo leguero, o charango, a quena e o violão acústico. O movimento conectou artistas de vários países (como a Nueva Canción Chilena e a Trova Cubana), criando uma identidade de luta compartilhada por toda a América Latina.

Por causa de suas mensagens de forte contestação social, o movimento foi considerado perigoso pelos regimes militares que tomaram o poder no continente na década de 1970. Muitos de seus membros foram censurados, perseguidos, presos ou exilados. Mercedes Sosa foi presa durante um show na Argentina e precisou se exilar na Europa. No Chile, o cantor Víctor Jara, outra grande voz do movimento, foi brutalmente assassinado pela ditadura de Pinochet.

O movimento deixou um legado imensurável, provando que a música popular pode ser um hino de resistência e um registro histórico das dores e esperanças de um povo.

Mercedes Sosa gravou mais de 40 álbuns e imortalizou composições marcantes de outros autores latino-americanos. Seus maiores sucessos são: “Gracias a la vida”, “Solo le pido a Dios”, “Todo cambia” e “Alfonsina y el mar”.

Mercedes Sosa possuía uma relação profunda com a música brasileira. Ao longo da vida, gravou e se apresentou com grandes nomes como Milton Nascimento, Chico Buarque, Caetano Veloso e Beth Carvalho.

Em seu último ano de vida, lançou o aclamado álbum duplo “Cantora” (2009). O projeto reuniu duetos memoráveis com estrelas internacionais — como Shakira — e lendas da MPB, incluindo Caetano Veloso na faixa “Coração Vagabundo”. O trabalho foi um sucesso estrondoso de vendas e serviu como uma emocionante despedida da maior voz da América Latina.

Os últimos dias de Mercedes Sosa foram marcados por uma rápida piora na saúde, cercada pelo carinho de familiares, músicos amigos e uma grande comoção nacional. Ela sofria cronicamente da doença de Chagas e enfrentava problemas decorrentes do sobrepeso.

Nos dias seguintes, a situação se agravou rapidamente. O problema nos rins gerou uma falha hepática crônica, que comprometeu os pulmões e causou um colapso cardiorrespiratório. Em seus momentos finais, a cantora permaneceu sob coma farmacológico (sedada) e respirando apenas com a ajuda de ventilação mecânica.

Em 2 de outubro de 2009, o padre Luis Farinello a visitou na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para ministrar o sacramento da extrema-unção. Na saída, declarou à imprensa que “apenas um milagre” a salvaria. Mercedes Sosa faleceu na madrugada de 4 de outubro de 2009, às 5h15, aos 74 anos de idade.

Loading

Compartilhe nosso artigo

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *