Mario de Miranda Quintana (1906–1994) foi um dos maiores poetas, tradutores e jornalistas brasileiros do século XX. Nascido em Alegrete (RS), ele ficou mundialmente conhecido como o “poeta das coisas simples” por sua capacidade de transformar o cotidiano, a infância e o tempo em poesia leve, profunda e bem-humorada.
Mário Quintana fez parte da segunda geração do Modernismo brasileiro. Sua escrita unia a perfeição técnica de formas clássicas (como o soneto) à liberdade e coloquialidade modernas. Suas principais publicações incluem:
A Rua dos Cataventos (1940): Seu livro de estreia, composto por sonetos marcantes. Sapato Florido (1948): Coletânea de poemas em prosa e aforismos. E Baú de Espantos (1986): Reflexões maduras sobre a memória e o tempo.
A carreira profissional de Mario Quintana como tradutor começou formalmente em 1929, enquanto sua estreia oficial com um livro de poesias publicado aconteceu em 1940. Embora ele já escrevesse versos desde a adolescência e os publicasse em jornais e revistas a partir de 1930, os principais marcos do início de sua trajetória literária profissional dividem-se em duas datas importantes:
Como Tradutor de 1929 e 1934. Em 1929, ele ingressou na redação do jornal O Estado do Rio Grande, onde deu seus primeiros passos trabalhando na área de tradução. E em 1934, Mário publicou o seu primeiro livro traduzido de forma efetiva para a Editora Globo, a obra Palavras e Sangue, do autor italiano Giovanni Papini.
E Como Poeta em 1940. Nesse ano, Mário Quintana lançou a sua primeira coletânea de poemas, o aclamado livro de sonetos A Rua dos Cataventos. Esta obra marcou formalmente o início de sua consagrada trajetória na literatura brasileira.
Além de criar poesias, Mario Quintana dominava idiomas e foi um tradutor brilhante para a Livraria do Globo. Ele verteu mais de 130 obras literárias para o português brasileiro, incluindo clássicos como: Em Busca do Tempo Perdido, de Marcel Proust, Mrs. Dalloway, de Virginia Woolf, Obras de Voltaire, Thomas Hardy e Graham Greene.
Ele nunca comprou uma casa própria. Viveu por muitos anos no famoso Hotel Majestic em Porto Alegre, espaço que hoje abriga o centro cultural Casa de Cultura Mario Quintana. A quase entrada na ABL: Quintana tentou três vezes uma vaga na Academia Brasileira de Letras (ABL), mas não foi eleito. Ao se recusar a candidatar-se uma quarta vez, ironizou: “Aos que me perguntam se estou triste por não ter entrado para a Academia, respondo que a melhor maneira de ser lembrado é não pertencer a ela”. Porém, mesmo assim, ele recebeu o prestigiado Prêmio Machado de Assis da ABL pelo conjunto de sua obra em 1980.
Em seus últimos dias, Mário Quintana deu entrada no hospital em uma sexta-feira devido a uma forte infecção intestinal. Durante o período de internação, o quadro clínico dele agravou-se após contrair uma pneumonia. No domingo anterior ao óbito, ele precisou ser transferido para o Centro de Tratamento Intensivo (CTI) devido ao comprometimento dos pulmões. O poeta sofreu com insuficiência respiratória na terça-feira, insuficiência cardíaca na quarta e, poucas horas antes de falecer na quinta-feira, apresentou também insuficiência renal.
Mario Quintana morreu no dia 5 de maio de 1994, aos 87 anos, em Porto Alegre (RS), vítima de insuficiência cardíaca e respiratória. A morte de Quintana aconteceu apenas quatro dias após o trágico acidente do piloto Ayrton Senna. Por conta disso, o velório do poeta dividiu as atenções do noticiário nacional com a chegada do corpo de Senna ao Brasil.
Eu tive o privilégio de ler algumas poesias de Mário Quintana. Confesso que preciso voltar a ler suas poesias e até mesmo suas famosas traduções de outros grandes poetas.
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