Um filme que retrata o sistema socioeducativo no Rio de Janeiro, levando o espectador a refletir sobre os pilares e as medidas aplicadas pelo Novo DEGASE (Departamento Geral de Ações Socioeducativas).
Através de entrevistas, conteúdo jornalístico e ficção, essa obra emociona e nos faz acreditar em um futuro melhor para os adolescentes em conflito com a lei. O documentário traz à pauta temas muito importantes, como a influência da vulnerabilidade social em diversas questões que tentam explicar por que tantos jovens acabam enveredando pelo caminho do crime.
Durante o documentário, são apresentados relatos de especialistas das áreas jurídica e educacional, além de depoimentos de pessoas que visitaram o DEGASE e trabalharam com esses jovens. É interessante pensar em como, de fato, é necessário buscar recuperar essas pessoas por meio de medidas socioeducativas efetivas.
A obra também aborda temas importantes, como a discriminação da sociedade contra pessoas que já foram fichadas, como diz o linguajar popular. Essas pessoas acabam ficando marcadas por terem cometido crimes e, assim, muitas delas enfrentam uma sentença social que dificulta o ingresso no mercado de trabalho, o acesso a uma universidade, a conquista de um diploma e a obtenção de um emprego formal, fatores que poderiam garantir uma reconstrução social para esses jovens, mas que, muitas vezes, acabam sendo arrancados deles.
Preciso destacar aqui o trabalho da direção de Serginho Clemente, junto à produção de Cadu Tavares. A montagem é muito interessante, pois intercala relatos de pessoas que viveram a experiência de ser um jovem no Departamento Geral de Ações Socioeducativas com cenas dramatizadas que tentam recriar situações dentro do DEGASE e a realidade do crime nas comunidades brasileiras.
Um dos relatos que mais me emocionou, particularmente, foi o de Rodrigo, um homem negro que sofreu uma sentença injusta ao ser confundido com outra pessoa. Entramos em um embate que já dura muitos anos: o da polícia e da violência desmedida quando o assunto é a questão racial. O sistema penal e prisional do nosso país tem muitas falhas, e um relato como o de Rodrigo traz luz às diversas injustiças.
Outro ponto mostrado no documentário é a visão que os estrangeiros têm ao visitar as comunidades e como é grave esse costume distorcido de glamorização do crime. A imagem do nosso país acaba ficando marcada por isso, generalizando o pensamento de uma sociedade que não vive o dia a dia dessas comunidades.
Como é mostrado no documentário, apesar de serem áreas marcadas pelo crime e pelo tráfico, existem pessoas honestas que buscam outro caminho para a vida. É preciso reconhecer também que o fato de ex-agentes que trabalharam no DEGASE não quererem conceder entrevistas já levanta questionamentos sobre possíveis episódios de má conduta desses profissionais.
Outro fato mostrado no documentário é que muitos jovens que entram em uma medida socioeducativa saem piores do que entraram. Isso é tão preocupante que já aconteceram rebeliões nessas unidades. O fato de cercear a liberdade de jovens é algo desafiador. Por isso, é necessário destacar a importância do papel educacional, da cultura e do suporte psicológico na reconstrução da vida e da trajetória desses jovens, oferecendo-lhes uma nova chance de tentar mudar de vida.
Uma participação que me chamou a atenção foi a da apresentadora de TV Gardênia Cavalcante, que visitou uma unidade do DEGASE e relatou a história de um jovem que escrevia poemas. Um dos poemas desse jovem foi publicado no jornal, e ela destacou a importância de estimular esses adolescentes a continuarem sonhando e investindo em seus talentos e desejos.
O fato é que o adolescente precisa ser o protagonista da própria história, mas também precisa de opções e recursos do Estado para que possa reorientar sua trajetória.
Em resumo, este documentário se compromete a mostrar diferentes lados das medidas socioeducativas e se aprofunda em uma reflexão sobre os impactos sociológicos da violência, da desigualdade econômica, dos crimes e dos abusos, além de abordar como as pessoas mais jovens estão inseridas nesse contexto. A obra também destaca a importância de criar uma conscientização social sobre a necessidade de ressocializar esses jovens e tratá-los como cidadãos.
Disponível:Amazon Prime
Ficha Técnica
Roteiro e Direção: Serginho Clemente
Assistente de Direção: Aline Capistrano
Produção: Cadu Tavares
Assistente de Produção: Lucas Maia
Direção de Arte: Pedro Nunes
Som Direto: Alexander Barra
Direção de Fotografia: Serginho Clemente
Assistente de Fotografia: Rogerio Mayo
Edição e Montagem: Serginho Clemente, Rodrigo Lacerda
Mixagem e Masterização: Neitan
Color Grading: Serginho Clemente, Lucca Favoreto
Pilotos de Drone: Marcio Muniz, Aaron Hariston
Logger: Luana Barra
Fiscal de Set: Mariana Mello
Designer Gráfico: Juca dos Santos
Fotografia Still: Serginho Clemente, Alexander Barra
DCP: Rudah Silva
Assessoria para Festivais: Cristina Mendonça, Mariana Costa
Reportagens e Imagens de Arquivo: Band TV Rio
Trilha Sonora Original: Cianna, Pressão Social, MC Dadinho,
Jana Davel, MC GB de Caxias, MC Nike Neke
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